As famílias em Santa Catarina enfrentaram um cenário de endividamento crescente em agosto de 2026, atingindo o pico de 78,4% de lares com dívidas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Fecomércio SC em colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Este índice representa um aumento de 1,5 ponto percentual em relação a julho e um salto expressivo de 6,9 pontos percentuais quando comparado ao mesmo período do ano anterior, sinalizando um desafio financeiro para uma parcela significativa da população.

Contudo, em contrapartida ao aumento do endividamento, a inadimplência registrou uma queda notável no estado. O percentual de famílias com contas em atraso diminuiu para 22,2% em agosto, uma redução de 1,4 ponto percentual em relação ao mês anterior. Este índice está consideravelmente abaixo da média nacional, que, por sua vez, apresentou uma leve alta e alcançou 29,9%. Essa divergência sugere que, apesar de contraírem mais dívidas, os catarinenses demonstram maior controle e capacidade para honrar seus compromissos financeiros.

O presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, destacou o aspecto positivo desse comportamento, observando que a inadimplência retorna a patamares próximos aos históricos no estado, em torno de 22%. Ele, no entanto, adverte para a necessidade de cautela, especialmente em um período eleitoral, onde incertezas podem levar ao adiamento de decisões importantes de consumo e investimento por parte dos consumidores. A análise aponta para uma resiliência financeira no estado, mas com a ressalva de um ambiente de negócios potencialmente instável.

Outros indicadores corroboram a melhora na gestão financeira das famílias catarinenses. A proporção de consumidores que declararam não ter condições de quitar suas dívidas em atraso caiu para 8,7% em agosto, mantendo-se abaixo da média nacional e reforçando a ideia de uma maior capacidade de pagamento. O levantamento também detalhou que o comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 29,9%, com um tempo médio de atraso de 63,9 dias. O cartão de crédito continua sendo a principal forma de endividamento, apesar de ter apresentado uma redução em sua incidência anual.