A visita dos ex-governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Romeu Zema, de Minas Gerais, ambos apontados como pré-candidatos à presidência da República, movimentou a capital catarinense nesta semana durante o Conecta 2026, evento promovido pela Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF). Com foco no empreendedorismo, o encontro também serviu como palco para articulações políticas e aproximações visando as eleições de 2026.

A abertura do evento reuniu lideranças importantes de Santa Catarina, como o governador Jorginho Mello, pré-candidato à reeleição, o senador Esperidião Amin, também cotado para disputar novo mandato, e o prefeito de Florianópolis Topázio Neto, atual presidente da FECAM (Federação Catarinense de Municípios). A presença das lideranças reforçou o peso político do encontro, que também contou com parlamentares e dirigentes partidários.

O comentaria político da Rádio Araranguá, Upiara Boschi, destacou especialmente a movimentação em torno de Ronaldo Caiado. Segundo ele, o ex-governador goiano concentrou seu discurso em segurança pública, experiência administrativa e críticas ao PT e ao presidente Lula.

“Caiado trouxe muito forte a pauta da segurança pública e também a trajetória dele na política nacional. É alguém que disputou a presidência ainda em 1989, foi deputado, senador e agora tenta consolidar o nome após vencer a disputa interna do PSD”, observou Upiara.

Mas, para o comentarista, o principal destaque foi o grupo político que acompanhou Caiado em Florianópolis. Estiveram ao lado do governador lideranças importantes do PSD catarinense, como o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues, pré-candidato ao governo do Estado, o presidente estadual do PSD Eron Giordani, o presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato à Câmara dos Deputados, Julio Garcia, além dos ex-governadores Jorge Bornhausen e Eduardo Pinho Moreira.

Segundo Upiara, a composição chamou atenção especialmente pela reaproximação política entre Bornhausen e João Rodrigues, após divergências anteriores, além da sinalização de possível alinhamento entre PSD e MDB em Santa Catarina.

Do lado de Romeu Zema, o evento teve participação de lideranças do Novo, como o deputado federal Gilson Marques e o deputado estadual Matheus Cadorin. A ausência do ex-prefeito de Joinville e pré-candidato a vice na chape de Jorginho Mello, Adriano Silva, também foi percebida nos bastidores.

Em seu discurso, Zema fez críticas diretas ao senador Flávio Bolsonaro após o vazamento de um áudio envolvendo cobranças relacionadas a um suposto financiamento junto ao Banco Master, de Vorcaro. Questionado sobre o caso, Zema afirmou considerar a situação “inaceitável” e reforçou que busca se apresentar ao eleitorado como alguém sem compromissos políticos que possam comprometer sua atuação.

Apesar das críticas, o ex-governador mineiro admitiu a possibilidade de uma composição em um eventual segundo turno, desde que o objetivo seja derrotar o PT.

Enquanto isso, em Brasília, outro tema mobiliza lideranças catarinenses. Cerca de 115 prefeitos do Estado participam da Marcha dos Prefeitos, evento nacional que reúne gestores municipais em busca de recursos e discussão de pautas que impactam diretamente as finanças das prefeituras.

Entre os assuntos mais debatidos está a preocupação dos municípios com propostas que ampliam despesas obrigatórias, como novos pisos salariais e o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Segundo estimativas apresentadas durante a mobilização, a mudança poderia gerar impacto de até R$ 46 bilhões aos cofres das prefeituras brasileiras.

A Marcha dos Prefeitos segue em Brasília até quinta-feira.