A corrida pelo governo de Santa Catarina em 2024 promete ser marcada por intensas disputas e reconfigurações políticas, expondo um cenário onde antigos aliados se tornam adversários. Em recente entrevista, o pré-candidato pelo PSD, João Rodrigues, detalhou suas pretensões e estratégias para se destacar em um pleito que deve ter como protagonistas o atual governador Jorginho Mello (PL), buscando a reeleição, e Gelson Merisio (PSB), representante da esquerda com apoio do governo federal.

João Rodrigues, ex-prefeito de Chapecó, em conversa com o comentarista Upiara Boschi, relembrou sua trajetória política e buscou se diferenciar dos demais pré-candidatos. Ele destacou que, embora tenha compartilhado palanques com Jorginho Mello e Gelson Merisio no passado, sempre manteve uma inclinação mais à direita, ao contrário dos outros dois que apoiaram a reeleição de Dilma Rousseff em 2014. Rodrigues enfatizou uma visão mais madura da política, compreendendo a importância dos adversários para a qualificação da gestão pública e evitando um tom de confronto constante, uma crítica velada ao atual governador.

O cenário político catarinense atual chama a atenção pelo fato de que os principais nomes na disputa estiveram, até pouco tempo, unificados. Em eleições passadas, como as de 2010 e 2014, todos compunham a base de apoio do ex-governador Raimundo Colombo. Em 2006, o apoio era a Luiz Henrique da Silveira, evidenciando um profundo reposicionamento e a fluidez das alianças no estado. A menção de Rodrigues à importância de Luiz Henrique da Silveira também pode ser interpretada como um movimento de aproximação com o MDB, partido que pode indicar o candidato a vice em sua chapa.

Durante a entrevista, também foram abordadas as estratégias para a disputa pelo Senado e as projeções eleitorais do PSD. O partido almeja eleger seis deputados estaduais e três federais, meta esta que, segundo análises, dependerá da decisão de Raimundo Colombo sobre sua candidatura, que ainda avalia o cenário político a partir de Lages. A esquerda, por sua vez, já definiu Décio Lima como candidato principal ao Senado, com Afrânio Boppré como alternativa para o segundo voto, demonstrando uma estratégia consolidada para a composição da chapa.